Atividades Integradoras

As Atividades Integradoras abrangem fóruns, grupos de trabalho, minicursos, oficinas, rodas de conversa, mostra audiovisual e multimídia, além de feiras (de sementes e artesanato) e exposições fotográficas, abertas ao público durante o congresso.

As Atividades Integradoras ocorrerão em sessões paralelas aos simpósios temáticas. Oficinas, minicursos e fóruns exigem inscrição prévia na plataforma www.even3.com.br/3cipial, com o limite de inscrição em apenas uma dessas atividades por participante. Esse limite foi estabelecido para garantir, na medida do possível, a oportunidade de participação de um maior número de pessoas nessas atividades (oficinas, minicursos e fóruns).

A demais Atividades Integradoras (rodas de conversa, feira, relatos de experiência, palestra) são abertas ao público e não exigem inscrição prévia. Confira a programação abaixo.

Gestão Ambiental e Territorial
3 de julho | 14 às 16h | Roda de Conversa

Intercâmbio de experiências sobre implementação de Planos de Gestão Territorial e Ambiental: diálogos para fortalecer a soberania de uso e ocupação das Terras Indígenas, pelos indígenas, no Brasil

Coordenadores: Tarcísio da Silva Santos Júnior e Artema Lima | Operação Amazônia Nativa

A Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial Indígena (PNGATI) foi instituída pelo Decreto 7.747 de 05 de junho de 2012. Os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) constituem importante instrumento de referência para a implementação desta política, pois, por serem elaborados com o protagonismo dos povos, tendem refletir as realidades locais e os caminhos que as comunidades querem trilhar na direção do futuro que eles querem para si e seus espaços de uso e ocupação. Neste sentido, esta roda de conversa se propõe a convidar os indígenas e suas diferentes formas de organização, como também instituições que trabalham com este público, para dialogar sobre as experiências com a implementação de PGTAs nas diferentes regiões no Brasil. A perspectiva é de que este intercâmbio proporcione conhecer os sucessos, as soluções e os gargalos na implementação de ações em três dos sete grandes eixos da PNGATI, a saber: Eixo 1 proteção territorial e dos recursos naturais; Eixo 5 uso sustentável de recursos naturais e iniciativas produtivas indígenas; Eixo 7 capacitação, formação,intercâmbio e educação ambiental.

Local: Espaço FULNI-Ô | Maloca

Jornadas Mesoamericanas
3 de julho | 16 às 18h | Roda de Conversa

Jornadas Mesoamericanas: Roda de conversa sobre os mayas na cultura popular

Coordenadores: Diogo Saraiva, Thiago Cavalcanti e Raul Marcelo Moitinho | Associação Ibero-Americana de Estudos Mayas

Roda de conversa sobre a forma como os mayas foram representados nas mais diversas mídias contemporâneas. Os mayas ocupam um espaço singular no imaginário ocidental: apesar de serem um dos grupos indígenas americanos mais conhecidos, boa parte da sua “fama” advém de seu suposto “desaparecimento” há mais de mil anos. Apesar dos milhões de falantes de línguas mayas espalhados pela América Central e México, devido à diáspora maya, os discursos populares sobre eles são controlados por vozes não-indígenas que raras vezes reconhecem as vibrantes culturas de falantes de línguas mayas nos dias de hoje. Esse processo tem raízes nas primeiras expedições arqueológicas à região maya e na apropriação do passado mesoamericano por Estados Nacionais e outros grupos, em que os construtores da arquitetura monumental da região maya eram vistos como romanos, judeus, atlântides, gigantes, índios brancos desaparecidos – todos, menos os antepassados dos povos que ali habitam até hoje. Se os mayas continuam sendo conhecidos como um povo misteriosamente desaparecido e cujos conhecimentos podem ser livremente apropriados e transformados sem nenhum respeito aos sábios e sábias mayas do passado e do presente, como no caso do “Calendário da Paz” e do “Apocalipse de 2012”, nós, acadêmicos estudiosos da história e das culturas maya, temos uma responsabilidade e oportunidade de trazer outra perspectiva que não invisibilize os mayas de hoje, em nome de um passado romantizado.

Local: Espaço FULNI-Ô | Maloca

Conflito armado na Colômbia
3 de julho | 16 às 18h | Palestra

A política e o político: identidades, comunidades indígenas e conflito armado na Colombia

Palestrante: Carlos Ariel Mueses | Universidad del Cauca, Colômbia

Esta reflexão tem com objeto testar interpretações de construção identitária que nos permitam compreender os diferentes agrupamentos e diferenciações políticas no marco do conflito armado na Colômbia, tendo como referência empírica o “posicionamento político” das organizações indígenas no departamento de Cauca, mas e principalmente, valorando as estratégias de resistência, resiliência e afrontamento levadas adiante por essas “comunidades indígenas” em função de demandar a não inclusão de seus territórios e suas populações no conflito nesses últimos quinze anos.

 

Local: Espaço MUNDURUKU | Auditório Roberto Salmeron, Faculdade de Tecnologia – FT

Saúde Indígena
3 de julho | 14 às 18h | Oficina

Saúde Indígena: tecendo e construindo laços, através do controle social

Coordenadores: Francielli Girardi, Paula Brustolin Xavier e Maiton Bernadelli

Sabe-se da relevância do controle social, organizado nas Terras Indígenas, para definições das Políticas Públicas de Saúde. O controle social é um dos pilares fundamentais do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASI-SUS), com gestão participativa, pois suas dinâmicas socioculturais são diferenciadas, necessitando novos e diferentes olhares para a construção das políticas públicas.

Local: Espaço QUÉCHUA | Faculdade de Saúde – FS | Laboratório de Doenças Raras

Educação Escolar Indígena
4 de julho | 10 às 12h | Roda de Conversa

A política de Educação Escolar Indígena do Brasil

Coordenadores: Lucia Alberta Andrade de Oliveira, Amanda Rodrigues Marqui e Rita Gomes do Nascimento

No Brasil vivem 869.917 mil indígenas (IBGE/2010), pertencentes a 305 povos, falantes de um pouco mais de 219 línguas distintas, segundo o Censo da Educação Superior (INEP/MEC), em 2015 haviam 32.167 estudantes que se autodeclararam indígenas, e no Censo Escolar da Educação Básica 2017 (MEC/INEP) estão matriculados 250.853 estudantes em 3.297 escolas indígenas. O direito a uma educação escolar diferenciada para os povos indígenas está assegurado na Constituição Federal de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96), bem como em outros documentos nacionais e internacionais que visam assegurar o direito à educação como um direito humano e social. Em 2019 se completam 28 anos que o Ministério da Educação assumiu a responsabilidade de coordenar a política nacional de educação escolar indígena no Brasil. Nesse período aconteceram avanços importantes e também retrocessos. A transferência de responsabilidades foi um passo significativo para a superação da concepção equivocada da incapacidade indígena, que fundamentou por longos anos o princípio jurídico da tutela, por meio do qual o Estado tinha a responsabilidade de decidir em nome dos povos indígenas. Vale destacar que a proposta de educação escolar indígena intercultural, bilíngue e diferenciada surgiu como contraponto ao projeto colonizador da escola tradicional imposta por décadas aos povos indígenas.

Local: Espaço MAYA | Faculdade de Educação 1 – FE 1 | Sala 8

Relatos de Experiência
4 de julho | 10 às 12h

A língua como resistência: experiências do povo Parakanã no ingresso à educação formal e o diálogo com a educação escolar indígena

Richelly de Nazaré Lima da Costa, Sayuri Fujishima e Moroyroa Parakanã

Faz parte da estratégia educacional dos Parakanã a atuação dos próprios indígenas como professores e reprodutores da língua, bem como a reprodução dos elementos da cultura no ambiente escolar, não restrito à sala de aula e envolvendo a comunidade com seus saberes notórios, bem como diversos aspectos da sua territorialidade. A roda de conversa discutirá as experiências e os gargalos na execução desta educação, considerando, ainda, a precariedade ou mesmo ausência da temática indígena na formação dos profissionais que atuam com os próprios indígenas, o que frequentemente ocasiona a reprodução da educação colonizadora pela invisibilidade das especificidades étnicas. Será apresentada experiência do povo Parakanã a fim de que outros participantes do Congresso possam apresentar suas próprias experiências e desafios, compartilhando outras realidades através de debates, visando a contribuição mútua entre os participantes. Para esta atividade, contaremos com a participação de Parakanãs envolvidos com a educação escolar indígena, como protagonistas e agentes difusores desse conhecimento, a partir de relatos das suas experiências, destacando suas perspectivas, obstáculos e visões de futuro.

Educar para a diversidade: falar sobre povos indígenas e enfrentar o preconceito

Kassiane Schwingel e Rodrigo Mariano

A partir de um processo de reflexão, discussão e escrita conjunta, 4 universitários/as indígenas de povos diferentes do Brasil e uma assessora de projetos não indígena do Conselho de Missão entre Povos Indígenas – COMIN elaboraram um livreto que trata do preconceito em relação aos povos indígenas, direcionado para o trabalho de educadoras e educadores. Além de ferramenta de luta contra o preconceito para os povos indígenas, o material é também um apoio pedagógico para educadores não-indígenas que costumam sentir insegurança e despreparo ao trabalhar as temáticas indígenas.

Povos indígenas: territorialidades, políticas e epistemologias

Richelly de Nazaré Lima da Costa, Rita de Cássia Pereira da Costa e Valéria Moreira Coelho de Melo

A cobiça pelos territórios ocupados por povos indígenas não é algo recente ou restrito ao Brasil. A presença do Estado na Amazônia brasileira, sobretudo a partir da década de 1960, caracterizou-se pelo incentivo à ocupação do espaço por meio de empreendimentos econômicos de grande envergadura e obras de infraestrutura. A implantação desses projetos foi marcada por políticas autoritárias que geraram conflitos socioambientais. Habitantes de territórios que, à sua revelia, passaram a ser redesenhados, os povos indígenas da região sudeste do estado do Pará têm, através de diferentes estratégias procurado resistir para existir. O contraste entre a lógica do capital e as práticas dos diferentes povos indígenas assentadas sob suas epistemologias específicas está no cerne dos conflitos.

Historicidade da educação escolar indígena e as perspectivas da escola na aldeia

Leni Barbosa Feitosa e Renato Yahé Krahô

Algumas etnias tiveram o primeiro contato com a instituição escola a partir do século XVI, no período de invasão europeia, outras somente a partir da criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) em 1910, Fundação Nacional do Índio (FUNAI) em 1967, e recentemente com a Promulgação da Constituição Federal de 1988. Outrossim é importante destacar que algumas comunidades indígenas ainda não tiveram contato com a educação escolar. Nesse andarilhar, vislumbramos três perspectivas educacionais: Assimilação: a escola do aldeamento e da fé (1500-1909); Integração: a escola do eco indígena no âmago europeu (1910-1987); e Reafirmação identitária: a escola das vozes indígenas (a partir de 1988 ainda presente nos dias atuais). O rompimento dessas concepções educacionais substanciadas na negação cultural dos povos indígenas principia no contexto contemporâneo a partir da promulgação da Constituição de 1988, ao reverberar a concepção educacional de reafirmar as identidades indígenas ao instituir escolas que sonorizem suas vozes e incorporem a educação indígena no ambiente escolar.

 

Local: Espaço FULNI-Ô | Maloca

Comunicação Cidadã
4 de julho | 14 às 18h

Princípios da Comunicação cidadã e métodos da participação social para o acesso à visibilidade indígena na esfera pública midiatizada

Coordenadores: Adriana Tigre Lacerda Nilo e Laudovina Pereira

Com base em pressupostos teóricos da Comunicação pública, cidadania e participação social, bem como de fundamentos da Antropologia, sobre diversidade cultural, e ainda das diretrizes das políticas indigenistas, traçadas pelo movimento indígena organizado, no Caderno de Propostas Priorizadas, publicado em abril de 2016, resultante da 1a Conferência Nacional de Políticas Indigenistas, realizada em Dezembro de 2015), teremos como principal objetivo fazer uma análise crítica da cobertura jornalística das temáticas indígenas nos meios de comunicação tradicionais; e ainda, abordar iniciativas signifIcativas de comunicação comunitária/cidadã, protagonizada nas aldeias e/ou em redes sociais na perspectiva contra-hegemônica. Por fim, propõe-se o entendimento do modo pelo qual a mídia e as redes sociais (re)organizam a vida social em meio às tensões entre apagamentos e visibilidades dos discursos que se confIguram (ou não) na esfera pública midiatizada.

Local: Espaço FULNI-Ô | Maloca | Sala 1

Guardiões de Sementes
5 de julho | 9 às 10h

I Encontro Internacional de Guardiões Indígenas de Sementes Tradicionais

Coordenadores: Terezinha Dias e Milton Nascimento

O Encontro pretende conectar guardiões indígenas de sementes tradicionais/crioulas do Brasil e da América Latina para o intercâmbio de vivências e a integração entre redes locais, regionais e nacionais, além de promover o debate sobre perspectivas e desafios quanto à organização e fortalecimento de iniciativas de conservação da agrobiodiversidade.

Local: Maloca

Feira de Sementes
5 de julho | 10 às 12h

I Feira de Troca de Sementes Tradicionais dos Povos Indígenas da América Latina

Coordenadores: Terezinha Dias, Milton Nascimento e Camila Carneiro

Os povos indígenas das Américas desenvolveram ao longo de milênios uma ampla diversidade de variedades de sementes responsável pela sustentabilidade de seus sistemas agrícolas tradicionais. A I Feira de Troca de Sementes Tradicionais dos Povos Indígenas da América Latina criará um espaço comunitário de intercâmbio de sementes e conhecimentos tradicionais entre os agricultores e associações indígenas. Será destinado um espaço para os agricultores interessados em trocar sementes e para o relato de experiências de conservação da agrobiodiversidade.

Local: Maloca

Modos de Ser indígenas
5 de julho | 10 às 12h

Modos de Ser Indígenas

Coordenadoras: Márcia Nunes Maciel e Rosimar Mukua

A atividade propõe compartilhar vivências indígenas em contexto de espaços de seringais que resultaram do processo de introdução do indígena na sociedade nacional, mas que, apesar dessa política de apagamento, mantém os modos de ser indígena na percepção e configuração de mundo.

Local: Espaço MAYA | Faculdade de Educação – FE

Educação Intercultural
4 de julho | 14 às 18h | Oficina

Experimentação pedagógica: relações interculturais e novas epistemologias com a Tiririca dos Crioulos

Coordenadores: Larissa Isidoro Miziara, Nivaldo Aureliano Léo Neto e Douglas Bandeira do Nascimento

A oficina será um espaço de experimentação pedagógico e epistêmico entre professores da Tiririca dos Crioulos/PE, grupo étnico que se autodenomina “quilombola-indígena”, juntamente com pesquisadores/colaboradores externos. Esta equipe interétnica se formou e estabelece relações de pesquisa desde 2014, com o início da ação-educativa “Do Buraco ao Mundo” realizada de forma contínua até o ano de 2017. Compartilhamos uma abordagem metodológica inspirada em pressupostos da “interculturalidade crítica ” como ponto de partida para alcançarmos o diálogo entre diferentes formas do saber. A partir do intercâmbio de experiências queremos dialogar sobre a produção de conhecimento motivada por relações interculturais, confrontando ideias acerca das situações sociais em interação e sobre as questões históricas de representações de grupos étnicos. Ao focar na memória da Tiririca, em especial em suas “pedagogias decoloniais” (Walsh, 2013), pretendemos compartilhar formas de enfrentamento aos problemas sociais demandados pelo colonialismo. Serão experienciadas mediações inspiradas em formas de expressão e de celebrações de tradição oral, realizadas na Tiririca dos Crioulos, adotando outras formas de linguagem como músicas e danças.

Local: Espaço MAYA | Faculdade de Educação 1 – FE1 | Sala 06

Sistemas Alimentares Indígenas
4 de julho | 14 às 17h30 | Mostra Documental / Oficina

Do território para a mesa: os sistemas alimentares indígenas em imagens

Do território para a mesa: os sistemas alimentares indígenas em imagens Organizadoras: Ludivine Eloy e Andreza Andrade | Debatedores: Nurit Bensusan e Marcello Broggio

A mostra busca propiciar a projeção e o debate acerca de documentos audiovisuais sobre a diversidade, as dinâmicas e desafios dos sistemas agrícolas e alimentares indígenas na América Latina. Com esta mostra, procuramos debater a seguinte a reflexão: “por quê é importante documentar e comunicar sobre os sistemas agrícolas e alimentares indigenas?” A dinâmica do evento será a projeção do material audiovisual (2 a 3 fotos ou video curto), comentado pelos autores, e seguida de duas rodas de conversa.

Local: Espaço YANOMAMI | Centro de Desenvolvimento Sustentável – CDS | Auditório Cerradp

Infâncias Indígenas (para educadores)
4 de julho | 9 às 12h | Oficina

Círculos Brincantes com Infâncias Indígenas (para educadores)

Coordenadores: Marina Rodrigues Miranda, Fernanda Monteiro Barreto Camargo, Maria Angelica Vago Soares, Karen Santana de Almeida Vieira, Dalva dos Santos Santana, Gean Augusto Cunha

Círculo Brincante é um espaço de sensibilização para as artesanias das crianças indígenas. A proposta é partilhar ecologias dos saberes de crianças indígenas, mediados por artefatos do brincar que foram produzidas por crianças indígenas do Sul da Bahia. Tais ações, são socializadoras de promoção e divulgação educativa do patrimônio da cultura de brinquedos e do brincar indígena. O propósito é potencializar espaços coletivos de observação e participação ativa de diferentes infância(s) indígenas, valorizando suas riquezas lúdicas, apreendidas dos universos civilizatórios indígenas. A circularidade formativa está na produção de trabalho coletivo com as crianças nas respostas à narrativa – “Você sabe o que é Kijemi?” com a mediação de educadores NUPEEES – Núcleo de Ensino e Pesquisa e Extensão em Experiência do Sensível/UFSB e GPITI- Grupo de Pesquisas com imagens, Tecnologias Culturais e Infâncias/UFES.

Local: Espaço FULNI-Ô | PIJ/ASFUB

Infâncias Indígenas (para crianças)
4 de julho | 14 às 17h | Oficina

Círculos Brincantes com Infâncias Indígenas (para crianças)

Coordenadores: Marina Rodrigues Miranda, Fernanda Monteiro Barreto Camargo, Maria Angelica Vago Soares, Karen Santana de Almeida Vieira, Dalva dos Santos Santana, Gean Augusto Cunha

Círculo Brincante é um espaço de sensibilização para as artesanias das crianças indígenas. A proposta é partilhar ecologias dos saberes de crianças indígenas, mediados por artefatos do brincar que foram produzidas por crianças indígenas do Sul da Bahia. Tais ações, são socializadoras de promoção e divulgação educativa do patrimônio da cultura de brinquedos e do brincar indígena. O propósito é potencializar espaços coletivos de observação e participação ativa de diferentes infância(s) indígenas, valorizando suas riquezas lúdicas, apreendidas dos universos civilizatórios indígenas. A circularidade formativa está na produção de trabalho coletivo com as crianças nas respostas à narrativa – “Você sabe o que é Kijemi?” com a mediação de educadores NUPEEES – Núcleo de Ensino e Pesquisa e Extensão em Experiência do Sensível/UFSB e GPITI- Grupo de Pesquisas com imagens, Tecnologias Culturais e Infâncias/UFES.

Local: Espaço FULNI-Ô | PIJ/ASFUB

Sistemas Jurídicos Indígenas
4 de julho | 14 às 16h | Roda de Conversa

Lei do Índio ou Lei do Branco – quem decide? Debates sobre sistemas jurídicos indígenas e intervenções estatais

Coordenadores: Assis da Costa Oliveira e Ela Wiecko Volkmer de Castilho

Nesta roda de conversa objetivamos reunir estudantes, docentes, advogados e militantes, indígenas e não-indígenas, para debate do estado da arte no Brasil e em alguns países latino-americanos das discussões sobre reconhecimento da jurisdição indígena, atuação indígena na resolução de conflitos e no acionamento da jurisdição estatal, assim como os mecanismos estatais de intervenção em questões penais e de outras áreas jurídicas, quando envolvam povos indígenas. Da mesma forma, pretende-se discutir o papel da Antropologia e dos laudos antropológicos nos casos judiciais envolvendo povos indígenas, e quais as possibilidades e os limites do saber antropológico e da Antropologia como ciência da “tradução” do outro. Ao final do debate, também se fará o lançamento do livro “Lei do Índio ou Lei do Branco – quem decide? Reflexões sobre sistemas jurídicas indígenas e intervenções estatais”.

Local: Espaço FULNI-Ô | Maloca

Protocolos Comunitários
4 de julho | 16 às 18h | Roda de Conversa

Protocolos comunitários e a (re)construção do direito de consulta prévia pelos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais na América Latina

Coordenadores: Liana Amin Lima da Silva, Joaquim Shiraishi Neto e Pedro Sergio Vieira Martins

A Convenção 169 da OIT, ao superar a orientação integracionista deu lugar ao debate sobre consulta, participação e uma relação horizontal entre Estados e povos indígenas. Nos dias atuais, entretanto, com as rupturas democráticas consolida-se um novo ciclo de violações e retrocessos nas garantias dos direitos coletivos dos povos, sobretudo, direito à terra e direitos da natureza. Nos processos de re-existência dos povos, a construção de protocolos próprios tem se revelado como uma tentativa legítima de se reconfigurar o direito de consulta prévia. Com o fortalecimento das organizações sociais tradicionais, o protocolo autônomo de consulta e consentimento é um instrumento que constitui juridicidade, no qual as comunidades expressam sua voz, como devem ser consultadas e as formas de decisão coletiva. Assim, esta roda de conversa objetiva (a) estabelecer um espaço aberto de troca de experiências de protocolos de consulta na América Latina; (b) propor a reflexão conjunta sobre os processos de construção de protocolos como estratégia de reivindicação e implementação de direitos coletivos e como se dá a recepção desses novos e plurais instrumentos pelos Estados; (c) contextualizar os conflitos socioambientais e a práxis dos povos ao se contrapor à lógica do capital. A atividade vincula-se ao Projeto de Pesquisa (CNPq): Observatório de Protocolos Comunitários de Consulta Prévia, Livre e Informada: Direitos territoriais, autodeterminação e jusdiversidade.

Local: Espaço FULNI-Ô | Maloca

Línguas Indígenas
4 de julho | 14 às 18h e
5 de julho | 8 às 12h | Grupo de Trabalho

Saberes Indígenas na Escola: processos de produção de materiais em línguas indígenas e seus produtos

Coordenadores: Ana Maria Rabelo Gomes, Elsie Rockwell e Rosangela Faustino

O GT reunirá participantes das várias redes que dão sustentação ao programa “Saberes Indígenas na Escola”, de forma a produzir uma ocasião de intercâmbio e trocas de experiências. O programa se instituiu a partir de uma multiplicidade de atores sociais que foram congregados nas diferentes redes, que envolviam professores e pesquisadores indígenas e não indígenas, sábios e conhecedores tradicionais de diferentes povos e comunidades, além de profissionais de campos específicos como editoração gráfica, ilustração e edição audiovisual. Terão foco os diferentes processos vivenciados na produção de materiais em línguas indígenas, buscando evidenciar a particular configuração de cada produção, a maneira como os diferentes atores foram envolvidos nos processos e como cada percurso levou aos produtos que resultam concluídos e divulgados pelas diversas redes.

Local: Espaço YANOMAMI | Centro de Excelência em Turismo – CET | Módulo Central

Patrimônio Cultural ao Sul do Mundo
5 de julho | 8 às 16h

Povos indígenas e patrimônio cultural ao sul do mundo: vozes e conhecimentos ameríndios contemporâneos

Coordenadores: Walmir da Silva Pereira, Carolina Andrea Maidana e Maria Amália Ibañez

Nas últimas décadas, tanto na América do Sul como na totalidade da América Latina e no mundo, a visibilidade dos povos indígenas tem aumentado e avançou-se no reconhecimento de seus direitos e no desenvolvimento de políticas públicas orientadas a satisfazê-los. Em paralelo a este processo, a noção de patrimônio cultural vem se modificando sendo compreendida de maneira integral, para considerar tanto aspectos materiais como simbólicos e abrir espaços às ações governamentais de preservação, recuperação, proteção e difusão de bens naturais e culturais, materiais e imateriais, tangíveis e intangíveis. Não obstante, os Estados Nacionais mantenham pendente a efetivação de direitos em relação à gestão e controle dos bens naturais e culturais, e mediante o aprofundamento do extrativismo, as migrações forçadas e os despejos territoriais não fazem mais do que colocar em suspensão a questão da conservação biocultural. O objetivo deste fórum é convocar referentes indígenas para refletir sobre sua atual situação sociopolítica e existencial, bem como sua perspectiva sobre o patrimônio cultural enquanto recurso do Estado institucionalizado no marco das políticas públicas de cultura e “patrimônio próprio” ou de “referência”, que fundamenta a mobilização e a luta indígena pela efetivação de seus direitos.

Local: Espaço MAPUCHE | Biblioteca Central | Auditório Cassiano Nunes

Relações Interétnicas
5 de julho | 8 às 12h

Pesquisas sobre relações interétnicas com povos indígenas, quilombolas e outras populações tradicionais na América Latina

Coordenadores: Stephen Grant Baines, Sebastián Valverde e Luis Eugenio Campos

O fórum reúne três pesquisadores do Brasil, Chile e Argentina que, há muitos anos, vêm realizando pesquisas relacionadas em Antropologia sobre a temática de relações interétnicas com povos indígenas e quilombolas. Stephen Baines (Brasil), Luis Campos da (Chile) e Sebastián Valverde (Argentina). Stephen Baines vem coordenando o Laboratório e Grupo de Estudos em Relações Interétnicas (LAGERI) no Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília desde 1997, os outros dois pesquisadores sendo membros antigos do LAGERI, colaboram em intercâmbios e em eventos internacionais. Luis Campos realizou o doutorado em Antropologia na UnB em 2000, e faz pesquisas sobre etnicidade entre os Mapuche no sul do Chile e na capital, Santiago desde os anos 1990. Atualmente realiza pesquisa sobre afrodescendentes na fronteira Chile – Peru e visibilidade étnica. Sebastián Valverde realiza pesquisas junto aos Mapuche no norte da Patagônia, Argentina, há mais de 20 anos, além de investigações sobre indígenas em Buenos Aires. Atualmente focaliza o extrativismo e os povos indígenas. Stephen Baines pesquisa sobre os impactos de projetos de desenvolvimento e povos indígenas desde 1980, indígenas em fronteiras internacionais, criminalização de indígenas e reelaboração étnica. O fórum visa oferecer ao público uma apresentação das trajetórias dos três, e as temáticas e as orientações téoricas que reúnem suas pesquisas, além de animar um debate sobre os resultados das pesquisas e novos caminhos a seguir.

Local: Espaço GUARANY | Instituto de Ciências Sociais – ICS | Sala multiuso do departamento de antropologia.