Exposições Fotográficas

Algumas Faces de Otavalo

Fábio do Espírito Santo Martins

Esta experiência etnofotográfica foi realizada no Pueblo indígena de Otavalo, localizado aproximadamente a 250km ao norte de Quito, capital do Equador. A partir de uma apreensão antropológica que valoriza o cotidiano e expressam marcadores de diferenças e entes de afirmação identitária. A exposição propõe um olhar peculiar sobre a Feira de Otavalo, a maior feira ameríndia do continente. São colocadas em evidência as mulheres Otavalo que participam desta feira: Mulheres indígenas e comerciantes que evidenciam como as relações comerciais são apropriadas e ressignificadas a partir de perspectivas culturais próprias. Assim, sincronicamente às vendas para os turistas, são os alimentos e artefatos tradicionais, e a participação nos trabalhos agrícolas coletivos que são “negociados” pelos indígenas. Portanto, na face destas mulheres, além da dignidade étnico- identitária bastante forte, também estão as evidências de uma permanência cultural capaz de interagir com as diferenças sem sofrer apenas perdas, mas sim, com a capacidade de promover recriações diante das necessidades de convivência com a diversidade. Elas oferecem uma valiosa lição para a pretensa racionalidade ocidental imposta à América Latina, sobretudo, neste momento onde há sérios riscos à convivência democrática em meio às diferenças.

Local: Espaço FULNI-Ô | Maloca

 

Xikão Xukuru: referência de luta e resistência

Maria Marcela Lima de Moura e Jaqueline Cordeiro Lopes

O líder, a morte e a semente para o fortalecimento indígena. Esses são os elementos centrais de um dos enredos mais marcantes e trágicos da trajetória recente do povo Xukuru de Ororubá, e onde o protagonista é Francisco de Assis Araújo, o cacique Xikão. A história de vida que contaremos aqui não é apenas sobre um homem, o cacique Xikão Xukuru, mas sobre um povo indígena, os Xukuru do Ororubá, de Pernambuco, e de como este povo iniciou o processo mais recente de resistência na recuperação de seu território e de um modo de vida específico. Esta caminhada será vista a partir do acompanhamento da história de vida desta liderança indígena, que fortaleceu a luta pelos direitos étnicos do seu e de outros grupos étnicos no país, e que se tornou uma figura emblemática do movimento indígena brasileiro.

Local: Espaço FULNI-Ô | Maloca

 

É índio que chama?

Naiara Atinaê Martins Demarco e Janaína Ferreira Fernandes

O ensaio coloca em pauta as noções de indianidade que circulam tanto no imaginário indígena quanto não indígena. Os tremembé, cujas terras localizam-se no oeste cearense, estão inseridos no movimento indígena sob a rubrica de “índios do Nordeste”, o que tem corroborado, desde o início do processo colonizatório, com uma série de marcações – principalmente no que se refere aos modos de atuação e classiIcação estatais – quanto à sua autenticidade cultural ou – melhor dizendo – sua aproximação maior ou menor com um ideal indígena abstrato. Tendo essa discussão em mente, apresentamos o ensaio sob o título “é índio que chama?”, com o intento de salientar as normativas, oriundas sobretudo das práticas estatais, acerca da indianidade e, especialmente, as respostas – no caso, performáticas – a tais normativas. Ensaio fotográfico foi realizado em 2017, na Terra Indígena de Almofala, com alunas e alunos do Ensino Médio Intercultural Tremembé.

Local: Espaço YANOMAMI | Centro de Desenvolvimento Sustentável – CDS

 

Luta e Resistência Kaingang: Território, Memória e Perseguição

Clémentine Maréchal, Billy Valdes e Iracema Gatén Nascimento

Ensaio que expressa a relação que os Kaingang que moram em Acampamentos de Retomadas no Alto Uruguai (RS) desenvolvem com um território devastado pelos avanços do agronegócio e uma perseguição aguda por parte do Estado brasileiro e dos fazendeiros locais. A resistência das mulheres e homens Kaingang nesses Acampamentos de Retomadas se manifesta com a força da relação que eles mantêm com os vënh-kagta, “remédios do mato” que sobrevivem nos desertos criados pela agricultura intensiva. A luta nas retomadas dos territórios Kaingang se inscreve na (re)criação de relações com os seres da aoresta que rompem com os modelos de relação com a terra baseados na produtividade e na propriedade, historicamente impostos nos Postos e nas Terras Indígenas. As araucárias nascendo expressam a relação entre a ancestralidade Kaingang, os processos históricos e coloniais sofridos por eles e um futuro de esperança baseado na procura de uma autonomia política, espiritual e territorial.

Local: Espaço MAYA | Faculdade de Educação

 

Algumas visualidades das histórias inauditas (Tapirapé): dos maracás e máscaras do Iraxao (Apyãwa) ao vislumbramento de traços da cosmopolítica indígena

Paula Grazielle Viana dos Reis e Vandimar Marques

Uma fotografia publicada, em 2016, por Etienne Samain em Vestígios de um diário fotográfico, artigo publicado pela revista GIS – Gesto, Imagem e Som – Revista de Antropologia, remeteu-me a uma fotografia selecionada para essa curadoria. Tal foto foi feita em janeiro de 2017, em Tapi’itawa, situada na Terra Indígena Urubu Branco do povo Apyãwa (Tapirapé). Certamente, a elegi, aqui, por remeter àqueles momentos de relativizações como diz Samain (2016, p. 223) através de uma legenda acoplada a foto rememorada por mim ao ver a foto que demonstra meus pés em uma rede trançada por uma artesã Apyãwa. Há vários caminhos em uma etnografia, as trilhadas até o momento, podem à primeira vista serem as mais tradicionais por correlacionar o trabalho de campo com pesquisas em arquivos e coleções. Mas também tal foto dos pés quer traduzir momentos de suspensão, sobretudo, quando a comparação circunscreve o fazer etnológico. Como busco demonstrar com as demais fotografias selecionadas, que foram feitas a partir dos materiais fotográficos, imagens de arquivos, tiradas entre os Tapirapé nas primeiras décadas do século XX. Bem como, com fotografias feitas recentemente entre ou pelos índios e que demonstram traços de uma cosmopolítica indígena.

Local: Espaço MAPUCHE | Biblioteca Central – BCE

 

O olhar indígena que atravessa a lente

Edgar Kanaykõ Xakriabá

Este trabalho tem como proposta, apontar algumas questões no que diz respeito aos diferentes modos e percepções sobre o mundo, a partir da perspectiva do olhar indígena através da objetiva de uma câmera fotográfica, sendo esta constituídas de processos e relações construídas entre parentes e parentesco, ao passo que não é apenas saber manusear de forma técnica em seus conceitos básicos, (fazer planos, recortes, enquadramentos) é sobretudo fazer conhecer quem (ou o que) está por trás, diante ou fora do campo de visão da câmera. A principio vista como uma ameaça, o uso de uma câmera agora passa a ser uma arma de luta e resistência aliada dos povos indígenas. Neste sentido, este trabalho propõe – a partir de um ensaio fotográfico no qual é evidenciado o uso da câmera fotográfica por indígenas fotógrafos e cineastas – uma aproximação entre o mundo de fora e o de dentro, indígena e não indígena. Evidenciando, principalmente os pontos de vista indígena a partir da imagem fotográfica, e como se dá esses modos próprios de perceber e interpretar o mundo a partir do olhar indígena que atravessa a lente.

Local: Restaurante Universitário – RU (Térreo)

 

Memórias e imagens indígenas no Grito da Floresta – Agencialidade e futuro dos povos indígenas no Rio Grande do Sul

Walmir da Silva Pereira

Este ensaio constitui exibe narrativas indígenas do Grito da Floresta, acontecimento materializado no segundo semestre de 2014 na Terra Indígena Nonoai, aldeia guarani do Passo Feio, município de Planalto, posicionando o recurso audiovisual como base de experimentação do olhar e do conhecimento etnográfico. O Grito da Floresta constituiu-se como encontro agenciado e articulado pelo movimento indígena de base regional, a fim de dialogar com agentes e agencias do campo indigenista nacional e regional, além de refletir com os referentes indígenas e representantes da esfera pública governamental sobre as ideias-força de bem viver, territorialidade, justiça indígena e autodeterminação, assim como sobre a perspectiva de futuro dos povos e coletividades indígenas no estado.

Local: Espaço MAPUCHE | Reitoria

 

Akwe Xerente do Tocantins – Um ethos indígena e a nova ancoragem da tradição

Adriana Tigre Lacerda Nilo e Élvio Marques

A exposição traz imagens da cultura do povo Akwe-Xerente das aldeias Porteira, Brupé e Brejo Comprido. O Akwe-Xerente tem uma população de 3.814 pessoas, cujo modo de existir e estar no mundo resiste às adversidades das condições difíceis de vida, ao mesmo tempo em que reinventa novas ancoragens. Esses indígenas mantêm as tradições da pintura corporal e do rico artesanato com o capim dourado e, ainda, dos rituais de casamento e batismo. Esses costumes não são vivenciados mais apenas no contexto da interação presencial, mas gradativamente em contextos interativos distendidos no tempo e no espaço, à medida que adotam o registro audiovisual e o uso da internet.

Local: Restaurante Universitário – RU (1o andar)